sábado, 1 de fevereiro de 2014

um desabafo

Eu imagino o as coisas que poderiam passar nas cabeças das pessoas que me conhecem e sabem um pouquinho da minha vida. "Como aquele menino consegue ser tão estranho?", "Como alguém consegue namorar ele?", "Por que ele vive ouvindo essas coisas esquisitas, dizendo frases sem sentido e no meio das pessoas?", "Por que esse menino cresceu assim, nossa família não pode ter gente assim". Outras, eu não imagino porque já ouvi ou li. "Ele é esquisito, ouve música estranha". "Eu não entendo esse menino". "Às vezes eu não tenho paciência para o jeito de ser dele". "Ele é do tipo que só magoa as pessoas com quem tem relacionamento sério", "Ai, tem certeza que quer que ele venha?" e por aí vai.
Não cabe a mim julgar o que as pessoas pensam a meu respeito, a respeito da minha vida, ou qualquer coisa assim. Não cabe a mim procurar respostas para o porquê de tanta coisa, não cabe a mim entender mais. É difícil tentar se adaptar ao mundo em que se vive, e eu juro que tentei, e tento todos os dias. Ter uma família que não te aceita enquanto alguém que não segue os preceitos estabelecidos, perder a mãe na adolescência e praticamente deixar de ser criança sem a presença de alguém para ser tomado de exemplo poderiam ser usados aqui como justificativas, mas não são.
Eu não tenho a capacidade de entender o porquê das coisas que eu faço, das coisas que eu gosto. Eu ouço muita gente, alguns até que lutam ferrenhamente por respeito a todas as pessoas, não respeitarem meus gostos pessoais, meu jeito de ser, a forma com que eu vejo o mundo e com que eu quero que todos se sintam bem. Sempre zombando, fazendo piadas, ou mesmo simplesmente fingindo a não existência enquanto ser humano. Mas sim, eu tenho meus hábitos, minha manias, meus jeitos. E não tenho e nunca tive vergonha deles, mesmo que muita gente tenha tentado me fazer ter. A diferença é que existem momentos que a solidão vem, e a única maneira de suprir isso é continuar sozinho.
Eu nunca me importei com brincadeiras a respeito de certos aspectos da minha vida, mas existem limites e muitas vezes eles são ultrapassados. E daí que eu não goste de coisas bem diferentes do que minha família gosta, e daí se eu enxergo o mundo de uma maneira diferente das pessoas, e daí se eu desabo quando vejo alguém que gosto mal, e daí se eu simplesmente gosto mais das pessoas do que eu deveria?
E é por isso que talvez minha família e as pessoas que não fazem parte dela vêm percebendo que ando me afastando, ou no mínimo, menos presente. Ficar sozinho tá sendo uma solução muito mais viável para mim, e contar com as pessoas é coisa que eu não to conseguindo mais.
Desculpa.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

o canto

Eu poderia dizer que estou definhando no fundo de um poço e clamando para ser resgatado, mas não quero fazer isso. Não quero me render a mais uma expressão que entra na boca das pessoas quando veem alguém jogado no canto sozinho. Só quero sair daqui, do canto, e ter noção de que o mundo lá fora me pertence também, faz parte de mim da mesma forma que faz parte de outras bilhões de pessoas. Mas não está dando certo. O pedaço de mundo com qual eu insisto em fazer parte não parece mais meu, e se ainda me pertence eu não sei onde coloquei. Será que deixei no fundo da gaveta do esquecimento, ou será que sou eu que estou lá?
Na verdade eu não sei. Talvez esqueci as chaves em algum lugar inexplorável no espaço e no tempo, somente no sentimento, esse que chama angústia e dá um aperto danado no coração. Por aqui eu vou ficando, com medo de sair.