sábado, 16 de março de 2013

distração

É manhã. O sol ainda manda seus raios entremeados às árvores que balançam com o vento em frente à minha janela. Escutei assobios de pássaros que iniciavam sua jornada diária de vida. A manteiga estava derretendo no pão que ainda quente pairava sobre um pires, na mesa. O café e o leite ainda estavam separados, cada qual em seu recipiente, esperando a hora de se juntarem dentro de um copo de vidro. E o queijo derreteu. O apito do micro-ondas anunciou que aquela pequena barra branca tinha se tornando uma massa pastosa, que iria se juntar à manteiga e ao pão. E a brisa da manhã estava passando pela janela, e os raios de sol iluminavam cada vez mais aquele espaço fechado de um quarto-e-sala mal construído para solitários. E meus olhos ficavam apenas no movimento das árvores e dos pássaros.
O café e o leite continuaram separados, o queijo ainda dentro do micro-ondas, o pão esfriando em cima do pires. Perdi a hora apreciando a vida, que ao contrário de mim, humano egoísta mesmo não querendo ser, não tem que passar pelas dificuldades impostas por si mesmos, não tem que superar algo que eles mesmos construíram, não precisa sobreviver, precisa apenas viver... no final todo mundo morre.

quarta-feira, 13 de março de 2013

pulando em poças

Dificuldade é como poça d'água. Saltar dentro de uma delas, sentir ela de desfazendo em forma de gotas que sobem e depois descem, impregnando-se ao calçado, à calça, ou aos pés e pernas nuas que nem sempre estão preparados para aquilo. Mas o sorriso pode ser maior, pisar na poça, pisar na dificuldade vencida, se sujar do que depois vai embora num simples jorro de torneira ou batidas cronometradas de uma máquina de lavar.
Ah, se encarássemos as dificuldades com a mesma força de vontade de se sentir aliviado, e talvez se divertir então depois, como é o ato de se soltar da gravidade que nos prende ao chão e pular dentro de uma poça...