quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

o canto

Eu poderia dizer que estou definhando no fundo de um poço e clamando para ser resgatado, mas não quero fazer isso. Não quero me render a mais uma expressão que entra na boca das pessoas quando veem alguém jogado no canto sozinho. Só quero sair daqui, do canto, e ter noção de que o mundo lá fora me pertence também, faz parte de mim da mesma forma que faz parte de outras bilhões de pessoas. Mas não está dando certo. O pedaço de mundo com qual eu insisto em fazer parte não parece mais meu, e se ainda me pertence eu não sei onde coloquei. Será que deixei no fundo da gaveta do esquecimento, ou será que sou eu que estou lá?
Na verdade eu não sei. Talvez esqueci as chaves em algum lugar inexplorável no espaço e no tempo, somente no sentimento, esse que chama angústia e dá um aperto danado no coração. Por aqui eu vou ficando, com medo de sair.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

sobre abraçar

Abra a porta de casa, o vento pode estar lá, sendo o resultado do voo da borboleta que inocentemente saiu do casulo no Vietnã. Mas se ele não estiver, não se assuste, ele não é desses que aparecem quando simplesmente querem, a não ser que seja necessário. Porque ele pode querer bagunçar seus cabelos, para você correr ao espelho e ver como ficou, e quem sabe dar uma risada, dessas que a gente sente falta quando o dia não foi nada bom. Porque ele pode trazer aquele calafrio bom, para aquela vontade de um abraço subir à cabeça mais rápido que o gole de bebida na festa da noite anterior, que te fez sorrir mais do que pensava em toda a vida, e então te fazer deitar, só e consigo mesmo imaginar o mais caloroso dos abraços. Não, não precisa de ser por causa do vento, pode ser ali, no cantinho da rua, um bom desejo de felicidade, ou quem sabe embaixo da chuva forte. O vento é um pretexto, ele não precisa fazer você querer um abraço, e este sim, quando você menos espera ele te pega de surpresa, e mesmo sem intenção, te marca de novo.